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Pesquisa quantitativaGraduação + Mestrado

Como escrever capítulo de resultados quantitativos: estrutura, tabelas e ordem de apresentação

Aprenda como escrever capítulo de resultados com ordem lógica, tabelas claras, relato estatístico e separação correta entre resultados e discussão.

Equipe de Escrita Acadêmica da Texio21 min de leitura
Quatro gráficos alinhados com seta laranja — como escrever capítulo de resultados
Painéis de dados organizados em ordem lógica para um capítulo de resultados quantitativos.

Para escrever um capítulo de resultados quantitativos, apresente primeiro o perfil da amostra, depois as estatísticas descritivas e, em seguida, os testes ligados a cada objetivo ou hipótese. O texto deve guiar a leitura das tabelas e figuras sem interpretar causas, defender explicações teóricas ou repetir todos os números.

Como escrever capítulo de resultados quantitativos sem transformar números em confusão

Você já rodou os testes, exportou tabelas do software estatístico e, mesmo assim, trava na hora de decidir como escrever capítulo de resultados sem parecer que está apenas despejando números na página. A planilha parece clara para você, mas o texto fica repetitivo: "a tabela mostra", "o gráfico apresenta", "houve média de..." — e nada disso parece virar uma seção acadêmica organizada. O problema geralmente não está nos cálculos, e sim na ordem de apresentação. Resultados quantitativos precisam responder aos objetivos do trabalho, não seguir a ordem aleatória em que o SPSS, Excel, Jamovi, R ou JASP gerou as saídas.

Para escrever um capítulo de resultados quantitativos, comece pelo perfil da amostra, avance para estatísticas descritivas e depois relate os testes inferenciais na mesma ordem dos objetivos, perguntas ou hipóteses. O texto deve destacar os achados necessários para o leitor entender as tabelas, sem discutir causas, implicações teóricas ou recomendações práticas.

Neste guia

Como escrever capítulo de resultados quantitativos seguindo uma ordem lógica?

A forma mais segura de organizar resultados quantitativos é seguir a sequência: amostra, preparação dos dados, estatísticas descritivas e testes ligados aos objetivos ou hipóteses. Essa ordem ajuda o leitor a entender quem participou, quais variáveis foram medidas e que evidências respondem à pergunta de pesquisa. A seção não deve começar pelo teste mais complexo se o leitor ainda não sabe como os dados foram distribuídos.

Comece pela pergunta que os resultados precisam responder

Antes de escrever, volte aos objetivos e hipóteses do trabalho. Se o objetivo é "analisar a relação entre tempo de tela e qualidade do sono em estudantes universitários", o capítulo de resultados não deve começar com todas as variáveis demográficas possíveis. Ele deve preparar o leitor para essa relação: perfil da amostra, medidas de tempo de tela, medidas de sono e, só depois, o teste de correlação ou regressão.

Resultados quantitativos são achados numéricos produzidos por medidas, escalas, questionários, bases secundárias ou experimentos. Eles incluem frequências, médias, desvios-padrão, intervalos de confiança, coeficientes, valores de p, tamanhos de efeito e outras medidas definidas na metodologia.

Uma ordem básica funciona bem para TCCs, trabalhos de graduação, artigos de disciplina e projetos de mestrado:

  1. Apresente o número de casos válidos e possíveis exclusões.
  2. Descreva a amostra ou base analisada.
  3. Mostre estatísticas descritivas das variáveis principais.
  4. Relate testes de pressupostos, se eles forem necessários para entender a análise.
  5. Apresente os resultados de cada hipótese, objetivo ou pergunta.
  6. Feche a seção com uma transição breve para a discussão, sem interpretar demais.

Use os objetivos como trilho de apresentação

A ordem dos resultados deve espelhar a promessa feita na introdução e na metodologia. Se você organizou o estudo em três objetivos específicos, cada objetivo pode virar uma subseção dos resultados. Isso evita uma seção guiada por comandos de software, como "teste t", "ANOVA", "correlação", quando o leitor quer saber que pergunta foi respondida.

Se o seu planejamento ainda está instável, a Hierarquia de capítulos para estruturar um trabalho acadêmico ajuda a conectar capítulos, seções e subseções antes da escrita. Essa conexão importa porque um resultado só faz sentido quando aparece no lugar certo da argumentação.

Compare duas formas de organizar a mesma seção:

Versão fracaVersão mais forte
"4.1 Frequências; 4.2 Médias; 4.3 Correlação; 4.4 Regressão""4.1 Perfil dos participantes; 4.2 Distribuição das variáveis principais; 4.3 Relação entre tempo de tela e sono; 4.4 Preditores da qualidade do sono"
"A Tabela 1 mostra idade. A Tabela 2 mostra renda. A Tabela 3 mostra horas de estudo.""A amostra foi composta majoritariamente por estudantes do 1.º ao 3.º ano, com variação suficiente em renda e horas de estudo para testar a hipótese proposta."
"Foi feita uma ANOVA porque sim.""Para comparar o desempenho médio entre três métodos de ensino, foi aplicada ANOVA de um fator."
"Todos os gráficos do Excel foram inseridos.""Foram mantidas apenas as figuras que ajudam a comparar grupos ou identificar padrões relevantes."

Separe preparação de dados de achados principais

Nem tudo que foi feito na análise precisa ocupar o mesmo espaço. Tratamento de dados ausentes, critérios de exclusão e verificação de pressupostos podem aparecer de forma breve no início dos resultados ou na metodologia, dependendo das normas do curso. O foco da seção deve permanecer nos achados que respondem à pesquisa.

Em um trabalho de psicologia sobre ansiedade acadêmica e procrastinação, por exemplo, o leitor precisa saber quantos questionários foram válidos e quais escalas foram usadas antes de ver a correlação entre as variáveis. Já os detalhes de codificação dos itens invertidos talvez pertençam à metodologia, não aos resultados.

Qual é a diferença entre resultados e discussão em uma pesquisa quantitativa?

Resultados apresentam o que os dados mostram; discussão explica o que esses achados podem significar em relação à teoria, à literatura e ao problema de pesquisa. A diferença entre resultados e discussão está no tipo de afirmação: a seção de resultados descreve evidências numéricas, enquanto a discussão interpreta, compara e avalia implicações. Misturar as duas partes costuma deixar o texto repetitivo e difícil de corrigir.

O que fica nos resultados

Na seção de resultados, use frases que indiquem medidas, direções e comparações observadas. Você pode dizer que um grupo apresentou média maior que outro, que uma correlação foi positiva, que uma hipótese recebeu apoio estatístico ou que a distribuição foi assimétrica. Não é o momento de defender por que isso ocorreu.

Exemplo adequado para resultados:

"Estudantes que relataram estudar mais de 10 horas semanais apresentaram média de desempenho maior do que estudantes que relataram até 5 horas semanais."

Essa frase descreve uma comparação. Ela ainda não diz que a diferença ocorreu por disciplina, motivação, método de ensino ou qualquer explicação externa.

O que fica na discussão

Na discussão, a escrita muda de função. Você pode relacionar o achado a estudos anteriores, sugerir explicações plausíveis, apontar limites da medida e indicar como o resultado responde ao problema de pesquisa. O texto passa a perguntar "o que isso quer dizer?", não apenas "o que apareceu?".

Exemplo adequado para discussão:

"Esse padrão sugere que o tempo de estudo pode estar associado a maior desempenho, mas a interpretação exige cautela, pois o desenho transversal não permite afirmar causalidade."

A palavra "sugere" é útil quando a evidência permite uma interpretação moderada, mas não uma conclusão absoluta. Em pesquisas quantitativas de graduação e mestrado, esse cuidado evita exagerar achados que dependem do desenho, da amostra e das medidas usadas.

Comparação direta entre as duas seções

Trecho do estudanteProblemaReescrita adequada
"A média foi maior no grupo A, o que prova que a intervenção funciona."Interpreta causalidade dentro dos resultados."A média do grupo A foi maior que a do grupo B. A interpretação desse padrão será retomada na discussão."
"Como a teoria de motivação afirma, os alunos motivados tiveram notas maiores."Mistura literatura com achado numérico."Alunos com escore mais alto de motivação apresentaram média de notas maior."
"O resultado foi inesperado e talvez tenha ocorrido porque os participantes estavam cansados."Explicação especulativa na seção errada."O resultado não acompanhou a direção prevista na hipótese."
"Isso mostra que escolas devem mudar suas práticas."Recomendação prática antes da discussão."A comparação entre os grupos indicou diferença nas médias observadas."

Como apresentar dados quantitativos sem repetir todas as tabelas no texto?

Para apresentar dados quantitativos com clareza, o texto deve selecionar os números que orientam a leitura e deixar detalhes completos nas tabelas. Não repita cada célula em frases corridas; destaque padrões, contrastes e resultados ligados aos objetivos. Uma boa seção combina texto, tabela e figura, cada um com função diferente.

Use o texto para guiar, não para duplicar

Uma tabela já permite consultar valores específicos. O parágrafo deve responder: qual padrão o leitor precisa notar? Em vez de escrever "a média da variável A foi 3,4, a média da variável B foi 2,9 e a média da variável C foi 4,1", explique a hierarquia dos valores e cite apenas os números necessários.

Versão fraca:

"A Tabela 2 mostra que a média de satisfação foi 3,8, o desvio-padrão foi 0,7, a média de confiança foi 4,1, o desvio-padrão foi 0,6, a média de intenção de compra foi 3,2 e o desvio-padrão foi 0,9."

Versão mais forte:

"Entre as variáveis de atitude, confiança apresentou a maior média, enquanto intenção de compra teve a menor média e a maior dispersão. Os valores completos de média e desvio-padrão aparecem na Tabela 2."

A segunda versão interpreta a estrutura dos números sem avançar para causas. Ela ajuda o leitor a enxergar o padrão antes de entrar na discussão.

Decida entre tabela e figura pela tarefa do leitor

Tabela é melhor quando o leitor precisa consultar valores exatos. Figura é melhor quando o leitor precisa comparar padrões visuais, tendências ou diferenças entre grupos. Em muitos trabalhos, uma tabela de estatísticas descritivas e uma figura para a comparação principal bastam.

Se você está inseguro sobre quais estatísticas descritivas relatar, o Resumo visual de estatística descritiva oferece uma base para decidir entre média, mediana, desvio-padrão, frequência e proporção. Essa escolha deve vir antes da escrita, porque cada tipo de variável pede uma forma de apresentação.

Monte o parágrafo depois da tabela

Uma técnica simples é construir a tabela primeiro e escrever o parágrafo em seguida. Assim, o texto não vira uma lista improvisada de valores. O processo pode seguir esta ordem:

  1. Dê um título claro à tabela, sem interpretar o resultado.
  2. Confira se linhas e colunas respondem a uma pergunta específica.
  3. Identifique os 2 ou 3 padrões que merecem ser mencionados no texto.
  4. Escreva um parágrafo que conduza o leitor para esses padrões.
  5. Remova números repetidos que já estão fáceis de localizar na tabela.

Em um trabalho de administração sobre satisfação de clientes em aplicativos bancários, por exemplo, uma tabela pode listar médias de usabilidade, confiança e intenção de continuar usando o serviço. O texto deve apontar quais dimensões ficaram mais altas ou mais baixas, não recontar todas as células.

Que tabelas e figuras entram em um capítulo de resultados quantitativos?

Entram apenas tabelas e figuras que ajudam a responder aos objetivos, descrever a amostra ou sustentar uma análise estatística. Saídas brutas de software, tabelas duplicadas e gráficos decorativos devem ficar fora do capítulo. Cada tabela ou figura precisa ter uma função visível no argumento dos resultados.

Tabela de perfil da amostra

A primeira tabela costuma descrever participantes, casos, instituições, documentos ou observações analisadas. Em pesquisas com questionários, ela pode incluir idade, gênero, curso, semestre, renda, tempo de experiência ou outra variável de caracterização. Em bases secundárias, pode descrever anos observados, regiões, setores ou categorias analisadas.

Exemplo de seção de resultados em enfermagem:

"A amostra foi composta por 126 pacientes idosos acompanhados após alta hospitalar. A maior parte relatou uso contínuo de três ou mais medicamentos, e 38,9% indicaram dificuldade para seguir horários prescritos."

Esse trecho apresenta perfil e contexto dos dados. A discussão sobre barreiras de adesão, suporte familiar ou políticas de cuidado deve vir depois.

Tabela de estatísticas descritivas

Depois do perfil, apresente as variáveis principais. Para variáveis contínuas, use média e desvio-padrão quando a distribuição for adequada; mediana e intervalo interquartil podem ser mais apropriados quando houver assimetria. Para variáveis categóricas, frequências e percentuais costumam funcionar melhor.

Variável independente é a variável usada como possível explicação, preditora ou fator de comparação. Variável dependente é o resultado observado que a pesquisa busca explicar, comparar ou prever. Se essa distinção ainda está confusa, veja a Relação entre variáveis independentes e dependentes.

Em uma pesquisa de educação sobre métodos de ensino, o método aplicado pode ser a variável independente, enquanto o desempenho em uma prova padronizada pode ser a variável dependente. A tabela descritiva deve mostrar como os grupos se comportaram antes de qualquer conclusão.

Figuras para padrões visuais

Figuras ajudam quando há uma comparação que o leitor entende melhor visualmente. Um gráfico de barras pode comparar médias entre grupos; um gráfico de dispersão pode mostrar relação entre duas variáveis; um boxplot pode exibir dispersão e valores extremos. Use com moderação: uma figura só vale espaço se tornar o padrão mais legível.

Evite inserir prints do software. Refaça gráficos com formatação limpa, sem excesso de casas decimais, cores aleatórias ou elementos visuais que não informam nada. O capítulo precisa parecer escrito, não colado de uma tela de análise.

Como relatar testes estatísticos na seção de resultados?

Relate testes estatísticos indicando o teste usado, a comparação ou relação analisada, a direção do resultado e os valores necessários para a interpretação. O texto deve conectar cada teste a uma hipótese, pergunta ou objetivo específico. Não basta informar "p < 0,05"; o leitor precisa saber o que foi testado e qual padrão apareceu.

Relato mínimo de um teste

Um relato quantitativo geralmente inclui: nome do teste, grupos ou variáveis analisadas, estatística do teste, graus de liberdade quando aplicável, valor de p, tamanho de efeito quando esperado e direção do achado. As normas variam por curso e área, então ajuste a forma final às orientações da instituição.

Exemplo em psicologia social:

"Houve correlação positiva entre apoio social percebido e bem-estar subjetivo, r = 0,42, p < 0,001, indicando que maiores escores de apoio social acompanharam maiores escores de bem-estar na amostra."

Essa frase relata o achado sem afirmar que apoio social causou bem-estar. A causalidade dependeria de desenho longitudinal, experimental ou de outra estratégia metodológica.

Ordem entre hipótese e resultado

Ao relatar um teste, recupere a hipótese em uma frase curta antes dos números. Isso evita que o leitor se perca em símbolos estatísticos. Uma estrutura útil é:

  1. Nomeie a hipótese ou objetivo.
  2. Diga qual teste foi usado e por quê, em linguagem breve.
  3. Informe o resultado estatístico.
  4. Explique a direção do padrão observado.
  5. Declare se o resultado apoia ou não a hipótese, sem exagero.

Se você ainda está escolhendo entre testes, o artigo Painéis de dados conectados a uma decisão estatística ajuda a relacionar tipo de variável, número de grupos e pergunta analítica. Essa decisão precisa estar coerente com a metodologia, não surgir apenas na seção de resultados.

Casas decimais e consistência

Use o mesmo padrão de casas decimais ao longo da seção. Se médias aparecem com duas casas decimais, mantenha esse padrão nas tabelas equivalentes. Em português, use vírgula como separador decimal: 3,25; 0,04; 12,8%.

Não transforme a seção em uma sequência de códigos. Símbolos estatísticos são úteis, mas o texto deve continuar legível para quem entende o tema do trabalho e não apenas a técnica. Uma boa regra é escrever primeiro a frase substantiva — quem comparou o quê — e depois inserir os valores.

Como adaptar o capítulo de resultados a diferentes áreas acadêmicas?

A estrutura geral é parecida em várias áreas, mas o tipo de variável, a forma de tabela e a linguagem do achado mudam conforme a disciplina. Psicologia pode priorizar escalas e correlações; enfermagem pode destacar desfechos clínicos e adesão; administração pode comparar indicadores de comportamento ou desempenho. A seção deve respeitar o modo como sua área lê evidências numéricas.

Ciências sociais e psicologia

Em ciências sociais e psicologia, resultados quantitativos frequentemente envolvem escalas, questionários, índices e modelos de associação. O capítulo deve informar confiabilidade de escalas quando exigido, estatísticas descritivas dos construtos e testes ligados às hipóteses.

Exemplo:

"Em um estudo de psicologia sobre procrastinação acadêmica, a seção pode começar com o perfil dos participantes, seguir para médias das escalas de procrastinação e ansiedade, e depois apresentar a correlação entre os dois construtos."

A discussão, não os resultados, vai explicar se esse padrão conversa com teorias de autorregulação, estresse ou gestão do tempo. Nos resultados, mantenha o foco em direção, magnitude e apoio ou não às hipóteses.

Ciências da saúde e enfermagem

Em saúde e enfermagem, a clareza sobre amostra e desfechos é decisiva. Idade, sexo, condição clínica, tempo de acompanhamento, adesão, sintomas e eventos observados podem precisar de tabelas específicas. O texto deve evitar recomendações clínicas antes da discussão.

Exemplo:

"Em um trabalho de enfermagem sobre adesão medicamentosa de pessoas idosas após alta hospitalar, os resultados podem apresentar primeiro o perfil dos pacientes, depois a frequência de esquecimento de doses e, por fim, a associação entre número de medicamentos e adesão relatada."

Se o desenho é transversal, escreva como associação, não como efeito causal. Essa distinção protege a coerência metodológica do trabalho.

Educação, negócios e gestão

Em educação, resultados podem comparar turmas, métodos de ensino, desempenho em avaliações ou percepção discente. Em negócios e gestão, podem envolver satisfação, intenção de compra, clima organizacional, produtividade ou indicadores financeiros. Em ambos os casos, tabelas e figuras devem responder a decisões analíticas claras.

Exemplo de educação:

"Em um projeto sobre aprendizagem híbrida, a seção pode comparar o desempenho médio de estudantes em turmas presenciais e híbridas, além de relatar a dispersão das notas em cada grupo."

Exemplo de gestão:

"Em uma pesquisa sobre clima organizacional, os resultados podem apresentar médias por dimensão, comparar setores e testar se percepção de liderança prediz intenção de permanência."

Esses exemplos mostram que a seção não é uma vitrine de todos os dados coletados. Ela é uma resposta organizada ao problema de pesquisa.

Quais erros estudantes cometem ao escrever o capítulo de resultados quantitativos?

Os erros mais comuns envolvem repetir tabelas, interpretar antes da hora, esconder a ligação com os objetivos e relatar testes sem contexto. Esses problemas fazem a seção parecer técnica, mas pouco explicativa. Corrigir a estrutura geralmente melhora mais o capítulo do que adicionar novas análises.

Erros específicos e como corrigir

  1. Começar pelo teste estatístico sem preparar o leitor
    Exemplo do estudante: "Foi realizada uma regressão linear múltipla e o modelo apresentou R² = 0,31."
    Correção: antes do modelo, diga quais variáveis foram analisadas, qual objetivo ele responde e como a amostra foi composta.

  2. Copiar a saída do software como se fosse tabela final
    Exemplo do estudante: "ANOVA Sum of Squares df Mean Square F Sig."
    Correção: transforme a saída em uma tabela acadêmica limpa, com apenas colunas necessárias e título compreensível.

  3. Interpretar causalidade em estudo que só mede associação
    Exemplo do estudante: "O uso de redes sociais causou piora no sono dos participantes."
    Correção: se o desenho é transversal, escreva "maior uso de redes sociais esteve associado a pior qualidade do sono".

  4. Escrever parágrafos que repetem cada célula da tabela
    Exemplo do estudante: "Na categoria A foram 20 pessoas, na B foram 31, na C foram 18, na D foram 9..."
    Correção: mencione o padrão geral e deixe a tabela carregar o detalhe numérico.

  5. Apresentar resultados que não respondem a nenhum objetivo
    Exemplo do estudante: "Também foi analisada a cor preferida dos participantes", em um trabalho sobre desempenho acadêmico.
    Correção: remova ou justifique apenas variáveis que tenham função no problema de pesquisa.

Por que esses erros aparecem

Muitos desses erros surgem porque estudantes escrevem a seção na mesma ordem em que fizeram a análise. A ordem de trabalho, porém, não precisa ser a ordem de apresentação. Você pode ter testado pressupostos, recodificado variáveis e rodado modelos alternativos, mas o capítulo final deve mostrar apenas o caminho necessário para responder à pergunta.

Outra causa é a insegurança em cortar tabelas. Parece mais seguro mostrar tudo, mas excesso de informação pode enfraquecer a leitura. Um capítulo enxuto, com tabelas bem escolhidas, costuma ser mais convincente do que uma sequência de anexos disfarçados de resultado.

Como revisar a seção antes de passar para a discussão?

Revise o capítulo verificando se cada tabela, figura e parágrafo responde a um objetivo ou hipótese. Depois, confira se o texto descreve resultados sem antecipar interpretação teórica. A revisão final deve ajustar ordem, consistência numérica, títulos de tabelas e ligação com a metodologia.

Perguntas de revisão estrutural

Leia a seção como se você fosse uma pessoa que não viu sua planilha. Ela consegue entender quem foi analisado, quais variáveis importam e qual resultado responde a cada objetivo? Se a resposta for não, a seção precisa de mais orientação textual, não necessariamente de mais números.

Use também a metodologia como espelho. Se a metodologia prometeu um teste de correlação, os resultados devem mostrar essa correlação. Se prometeu comparar três grupos, a seção deve apresentar comparação entre os três, não apenas descrições isoladas.

Checklist antes de avançar

Antes de seguir: checklist do capítulo de resultados quantitativos

  • A seção começa com o número de casos válidos ou participantes analisados.
  • O perfil da amostra aparece antes dos testes principais.
  • As estatísticas descritivas das variáveis principais foram apresentadas.
  • Cada teste estatístico está ligado a um objetivo, pergunta ou hipótese.
  • O texto não repete todas as células das tabelas.
  • Tabelas e figuras têm função clara e não duplicam a mesma informação.
  • Valores usam vírgula decimal e padrão consistente de casas decimais.
  • A seção evita explicações causais quando o desenho só permite associação.
  • A diferença entre resultados e discussão foi respeitada.
  • A ordem dos resultados acompanha a lógica do trabalho, não a ordem do software.

Última leitura antes da discussão

Faça uma leitura marcando frases interpretativas. Expressões como "isso ocorreu porque", "isso prova que", "a explicação é" e "recomenda-se" geralmente pertencem à discussão. Nos resultados, prefira frases como "foi observado", "os dados indicaram", "a média foi maior" ou "a hipótese recebeu apoio estatístico".

Também confira se os nomes das variáveis são iguais nos objetivos, na metodologia, nas tabelas e no texto. Pequenas variações confundem: "satisfação acadêmica", "satisfação com o curso" e "satisfação estudantil" podem parecer três variáveis diferentes. Consistência terminológica reduz retrabalho na orientação e melhora a leitura do capítulo.

(Metadados do sistema de publicação — não remova esta seção)


Perguntas frequentes

Quantas páginas deve ter um capítulo de resultados quantitativos?

Depende do número de objetivos, variáveis e testes, mas muitos trabalhos de graduação e mestrado ficam entre 5 e 15 páginas de resultados. O tamanho não deve ser definido por volume de tabelas, e sim pela quantidade de evidência necessária para responder à pergunta de pesquisa. Se a seção passa a incluir tabelas sem função, é melhor mover material complementar para anexos ou apêndices, conforme as normas do curso.

Qual é a diferença entre resultados e discussão?

Resultados mostram o que os dados indicaram; discussão interpreta o que esses achados significam. Nos resultados, você relata médias, frequências, relações, diferenças e testes. Na discussão, você compara com a literatura, explica padrões possíveis, aponta limites e responde ao problema de pesquisa em linguagem interpretativa.

Posso colocar gráficos e tabelas com os mesmos dados?

Pode, mas só quando cada formato tiver uma função diferente. Se a tabela mostra valores exatos e o gráfico ajuda a visualizar uma comparação central, a combinação pode funcionar. Se ambos repetem a mesma informação sem ganho de leitura, escolha apenas um.

Como escrever resultados quantitativos em um TCC de graduação?

Comece pelo perfil da amostra, apresente estatísticas descritivas e organize os testes na ordem dos objetivos específicos. Use linguagem direta, evite excesso de jargão estatístico e explique o padrão principal antes de inserir muitos valores. O orientador ou a orientadora também pode exigir normas específicas de formatação.

Posso discutir hipóteses dentro da seção de resultados?

Você pode dizer se os dados apoiam ou não uma hipótese, mas a interpretação detalhada deve ficar na discussão. Uma frase como "o resultado oferece apoio à H1" é aceitável em muitos formatos. Já explicar por que a hipótese foi apoiada, relacionar a teoria e propor consequências pertence à seção seguinte.