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Como escolher um tema de pesquisa para um trabalho acadêmico

Aprenda como escolher um tema de pesquisa viável para TCC, artigo acadêmico ou trabalho de mestrado, com critérios, exemplos e erros comuns.

Equipe Texio de Escrita Acadêmica21 min de leitura
Funil de círculos até um ponto laranja — como escolher um tema de pesquisa
Um conjunto de ideias amplas passa por um funil até chegar a um único recorte de pesquisa.

Para escolher um tema de pesquisa, comece por uma área de interesse real, delimite população, contexto, período e problema, depois teste se há fontes, método possível e tempo suficiente. Um tema viável não é apenas interessante: ele precisa permitir uma pergunta de pesquisa respondível dentro das exigências do seu curso.

Como escolher um tema de pesquisa para um trabalho acadêmico

Você abre um documento em branco, escreve três possíveis temas e percebe que todos parecem bons e ruins ao mesmo tempo: um é interessante, mas amplo demais; outro parece "acadêmico", mas não desperta nenhuma vontade de ler; o terceiro talvez agrade à orientação, só que você não sabe nem por onde começaria a pesquisar. Essa dúvida aparece muito em TCCs, artigos de graduação, projetos de iniciação científica, trabalhos de conclusão de disciplina e produções de mestrado. O problema raramente é falta de inteligência ou de esforço. Na maioria das vezes, falta um critério claro para transformar interesse geral em tema delimitado, pesquisável e compatível com prazo, método e acesso a materiais.

Para escolher um tema de pesquisa, parta de uma área que você consiga sustentar por semanas ou meses, recorte o assunto por contexto, população, período e problema, e verifique se há fontes e dados suficientes. Um tema de pesquisa viável é aquele que gera uma pergunta respondível, cabe no tamanho do trabalho e pode ser desenvolvido com os recursos que você realmente tem.

Neste guia

Como escolher um tema de pesquisa sem começar amplo demais?

Escolha um tema de pesquisa começando por um assunto amplo, mas não pare nele. O caminho mais seguro é reduzir esse assunto por área, problema, contexto, grupo analisado e limite temporal. Assim, "redes sociais" deixa de ser um tema vago e pode virar um recorte investigável sobre um público, uma prática e uma situação concreta.

Interesse não é tema

Interesse é aquilo que chama sua atenção: saúde mental, evasão escolar, marketing digital, acesso à justiça, inteligência artificial ou sustentabilidade. Tema é uma versão delimitada desse interesse, formulada de modo que possa ser estudada em um trabalho acadêmico.

Um estudante pode se interessar por "ansiedade em universitários", mas isso ainda não diz o que será observado. Ansiedade antes de provas? Ansiedade em estudantes do primeiro ano? Relação entre ansiedade e sono? Experiências de busca por atendimento psicológico? Cada escolha leva a outro tipo de fonte, método e pergunta.

Essa distinção evita um erro comum: procurar "um tema perfeito" antes de entender o problema. Na prática, o tema nasce de uma sequência de decisões pequenas. Você não precisa acertar tudo no primeiro rascunho; precisa sair de uma ideia grande e chegar a um recorte que permita escrever com direção.

O funil de delimitação

Um modo prático de começar é usar um funil de quatro perguntas. Ele ajuda quem está procurando como escolher tema para TCC, artigo acadêmico ou trabalho de mestrado sem se perder em possibilidades infinitas.

  1. Qual área me interessa? Por exemplo: saúde coletiva, psicologia escolar, gestão de pessoas, direito do consumidor.
  2. Qual problema aparece dentro dessa área? Por exemplo: baixa adesão a tratamento, evasão, rotatividade, judicialização.
  3. Em qual contexto esse problema será observado? Por exemplo: uma cidade, uma escola pública, um hospital universitário, empresas de tecnologia.
  4. Qual limite torna o estudo possível? Por exemplo: período de 2020 a 2025, estudantes de graduação, artigos publicados em português, entrevistas com profissionais acessíveis.

Se você consegue responder a essas quatro perguntas, já tem mais que uma ideia solta. Tem uma base para formular uma questão de pesquisa e começar a planejar capítulos, seções ou etapas do texto.

Do assunto ao recorte

Veja a diferença entre um assunto amplo e um tema com contorno acadêmico:

  • Assunto amplo: "uso de redes sociais".
  • Recorte inicial: "uso de redes sociais por adolescentes".
  • Recorte melhor: "percepções de estudantes do ensino médio sobre o uso do Instagram na construção da autoimagem".
  • Possível pergunta: "Como estudantes do ensino médio percebem a influência do Instagram na construção da autoimagem?"

O último exemplo ainda pode ser ajustado conforme acesso ao campo, exigências éticas e tempo disponível. Mesmo assim, ele já indica grupo, plataforma, fenômeno e abordagem. Isso torna a pesquisa mais administrável que uma promessa genérica de estudar "o impacto das redes sociais na juventude".

O que torna um tema de pesquisa viável para TCC ou mestrado?

Um tema de pesquisa viável é aquele que pode ser investigado com fontes acessíveis, método adequado, prazo realista e escopo compatível com o nível do trabalho. Ele não depende de dados impossíveis, amostras muito grandes ou promessas que exigiriam anos de pesquisa. Viabilidade significa que você consegue sair da ideia e produzir texto acadêmico com evidências suficientes.

Viabilidade de fontes

Fonte é qualquer material que sustenta a análise: artigos científicos, livros, documentos, leis, relatórios, entrevistas, questionários, bases de dados ou registros institucionais. Antes de se comprometer com um tema, verifique se esses materiais existem e se você pode acessá-los.

Um tema como "efeitos de um novo protocolo hospitalar em pacientes idosos" pode soar ótimo, mas talvez dependa de prontuários protegidos, autorização institucional e aprovação ética que não cabem no prazo. Já "fatores associados à adesão medicamentosa em idosos atendidos na atenção primária, a partir da literatura brasileira recente" pode ser mais adequado para uma revisão de literatura.

Na graduação, a viabilidade costuma estar ligada ao tamanho do trabalho e ao tempo de orientação. No mestrado, o recorte pode ser mais exigente, mas ainda precisa ser compatível com as condições reais de coleta, leitura e escrita.

Viabilidade de método

Método é o caminho usado para responder à pergunta de pesquisa. Um tema pode pedir uma abordagem quantitativa, qualitativa, teórica ou de revisão de literatura. O problema surge quando o tema exige um método que o estudante não domina, não tem tempo para aprender ou não consegue executar.

Se você quer medir "o impacto de um programa de treinamento na produtividade", provavelmente precisará de indicadores antes e depois, grupo de comparação ou pelo menos dados organizados. Se esses dados não existem, talvez seja melhor estudar "percepções de gestores sobre barreiras na avaliação de treinamentos" por entrevistas, ou fazer uma revisão sobre critérios usados na literatura para avaliar programas semelhantes.

Viabilidade não é reduzir a ambição intelectual; é ajustar o plano para que a pesquisa possa ser concluída com qualidade dentro do seu contexto.

Viabilidade de escopo

Escopo é o tamanho do que você pretende cobrir. Temas inviáveis quase sempre tentam responder a muitas coisas ao mesmo tempo: vários países, muitos grupos, longos períodos históricos, diferentes teorias e múltiplos métodos.

Compare estas versões:

Versão fracaVersão mais forte
"A influência da tecnologia na educação""Uso de plataformas digitais na participação de estudantes do ensino médio em aulas remotas no Brasil entre 2020 e 2022"
"Saúde mental dos profissionais de enfermagem""Fatores de estresse relatados por profissionais de enfermagem em unidades de urgência durante plantões noturnos"
"Marketing nas redes sociais""Estratégias de microinfluenciadores no engajamento de consumidores de cosméticos veganos no Instagram"
"Direitos humanos e sistema prisional""Aplicação de medidas alternativas à prisão em decisões de tribunais estaduais brasileiros entre 2019 e 2024"

A versão mais forte não é "menor" no sentido intelectual. Ela é mais nítida. Isso facilita a pergunta de pesquisa, a revisão bibliográfica, a escolha metodológica e a organização do texto.

Como transformar ideias de temas de pesquisa em um recorte específico?

Transforme ideias de temas de pesquisa em recortes específicos acrescentando quatro delimitadores: objeto, população ou material, contexto e problema. Depois, escreva uma pergunta provisória e teste se ela pode ser respondida com evidências. Se a pergunta ainda exigir explicações enormes antes de fazer sentido, o tema provavelmente precisa de novo recorte.

Use delimitadores concretos

Um tema melhora quando deixa claro "o quê", "quem", "onde" e "em que situação". Esses delimitadores não precisam aparecer todos no título final, mas precisam existir no seu planejamento.

Por exemplo, "burnout" é um tópico amplo. "Burnout em estudantes de medicina" já é melhor. "Fatores associados a sintomas de burnout em estudantes de medicina do internato de uma universidade pública" delimita grupo e contexto. Se houver acesso a participantes e instrumentos adequados, esse recorte pode virar um estudo quantitativo. Se não houver, pode virar revisão de literatura sobre prevalência e fatores associados.

No caso de trabalhos teóricos, a delimitação também existe. "Justiça restaurativa" é amplo. "A aplicação da justiça restaurativa em conflitos escolares à luz da legislação brasileira" já aponta campo, problema e base normativa.

Escreva uma frase de recorte

Antes de formular o título definitivo, escreva uma frase simples:

"Eu quero estudar [fenômeno] em [grupo/material/contexto] para entender [problema ou relação]."

Exemplo em psicologia social:

"Eu quero estudar estratégias de enfrentamento do estresse em estudantes universitários trabalhadores para entender como conciliam carga acadêmica e jornada profissional."

Exemplo em administração:

"Eu quero estudar práticas de feedback em equipes remotas de startups brasileiras para entender como gestores percebem seus efeitos na comunicação interna."

Essa frase ainda não é a pergunta de pesquisa, mas obriga você a mostrar o foco. Se você não consegue completá-la sem usar termos vagos como "sociedade", "atualidade", "impacto geral" ou "mundo moderno", volte ao funil.

Passe do recorte para a pergunta

Depois do recorte, formule uma pergunta que possa ser respondida. Para aprofundar esse passo, vale consultar como elaborar uma questão de pesquisa, porque tema e pergunta não são a mesma coisa.

Um tema diz sobre o que o trabalho trata. A pergunta define o que será investigado. Veja:

Fraco: "O impacto da ansiedade na vida acadêmica."
Mais forte: "Como estudantes de graduação que trabalham relatam a relação entre ansiedade e desempenho acadêmico durante períodos de avaliação?"

A versão fraca promete muito e não mostra como a pesquisa será conduzida. A versão mais forte indica grupo, situação e abordagem qualitativa. Ela também evita a palavra "impacto" quando não há desenho quantitativo capaz de medir efeito.

Como definir tema de artigo acadêmico em áreas diferentes?

Para definir tema de artigo acadêmico em diferentes áreas, adapte o recorte ao tipo de evidência aceito na disciplina. Psicologia pode exigir variáveis, escalas ou entrevistas; saúde pode exigir protocolos, populações e critérios clínicos; educação, gestão e direito podem trabalhar com práticas, documentos, decisões ou experiências institucionais. O tema precisa conversar com as regras de prova da área.

Ciências sociais e psicologia

Em ciências sociais e psicologia, muitos temas falham porque misturam conceitos subjetivos sem indicar como serão observados. "Motivação", "identidade", "bem-estar" e "participação" podem ser conceitos úteis, mas precisam de definição operacional ou eixo teórico.

Um exemplo viável em psicologia educacional seria: "Relação entre procrastinação acadêmica e percepção de autoeficácia em estudantes de graduação que trabalham". Esse tema sugere uma pesquisa quantitativa com instrumentos definidos, ou uma revisão sobre os dois construtos em estudantes trabalhadores.

Um exemplo qualitativo seria: "Experiências de pertencimento acadêmico entre estudantes cotistas no primeiro ano da graduação". Aqui, o foco não está em medir relação estatística, mas em compreender relatos, sentidos e trajetórias. O tema fica mais claro porque define grupo, experiência e momento.

Ciências da saúde e enfermagem

Em saúde e enfermagem, um tema de pesquisa viável depende muito de acesso a campo, dados e normas éticas. Um trabalho sobre "adesão medicamentosa em idosos" pode assumir formas bem diferentes.

Se a estudante tem acesso a uma unidade de atenção primária e autorização para coletar dados, o tema poderia ser: "Fatores associados à adesão medicamentosa em idosos hipertensos acompanhados por uma unidade básica de saúde". Se não há acesso a pacientes, um recorte de revisão pode ser mais realista: "Estratégias de enfermagem para melhorar a adesão medicamentosa de idosos hipertensos na atenção primária: revisão integrativa".

Perceba que os dois temas tratam de saúde, mas exigem planos diferentes. O primeiro pede coleta empírica; o segundo pede busca, seleção e síntese de estudos. Para esse segundo caminho, a leitura sobre como escrever uma revisão de literatura para TCC e mestrado ajuda a evitar uma sequência de resumos sem análise.

Educação, gestão e direito

Na educação, o tema precisa evitar promessas amplas como "melhorar o ensino". Um recorte mais trabalhável seria: "Uso de rubricas avaliativas na produção textual de estudantes do ensino médio em uma escola pública". Esse tema permite analisar documentos, relatos docentes ou resultados de atividades, conforme o método escolhido.

Em gestão, "liderança nas empresas" é amplo demais. Uma versão mais clara seria: "Percepções de lideranças intermediárias sobre desafios de comunicação em equipes híbridas no setor de tecnologia". O tema aponta público, fenômeno e contexto organizacional.

No direito, o risco costuma ser escolher temas enormes, como "direitos fundamentais na internet". Um recorte melhor seria: "Critérios usados por tribunais brasileiros em decisões sobre remoção de conteúdo em plataformas digitais entre 2020 e 2024". Esse tema indica material jurídico, período e problema interpretativo.

Quais erros os estudantes cometem ao escolher um tema de pesquisa?

Os erros mais comuns ao escolher um tema de pesquisa são escolher um assunto amplo demais, prometer causalidade sem método, depender de dados inacessíveis, copiar temas prontos sem adaptar e formular o tema como opinião. Esses problemas aparecem cedo, mas só ficam caros quando o estudante já escreveu páginas que não respondem a uma pergunta clara. Corrigir o tema antes da escrita economiza retrabalho.

Erros que parecem pequenos no início

  1. Escolher um tema que parece título de redação
    Exemplo do estudante: "A importância da educação financeira para os jovens brasileiros."
    Correção: transforme em problema investigável, como "Conhecimentos declarados sobre educação financeira entre estudantes do ensino médio de escolas públicas de uma cidade específica".

  2. Usar "impacto" sem desenho de pesquisa para medir efeito
    Exemplo do estudante: "O impacto do home office na produtividade dos trabalhadores."
    Correção: se não há dados de produtividade antes e depois, reescreva como "Percepções de trabalhadores administrativos sobre mudanças na produtividade durante o home office".

  3. Misturar muitos públicos no mesmo tema
    Exemplo do estudante: "Saúde mental de crianças, adolescentes e adultos após a pandemia."
    Correção: escolha um grupo e uma situação: "Sintomas de ansiedade relatados por estudantes universitários no retorno às aulas presenciais".

  4. Depender de dados que ninguém vai liberar
    Exemplo do estudante: "Erros de medicação registrados em todos os hospitais privados da região metropolitana."
    Correção: substitua por revisão de literatura, análise de protocolos públicos ou estudo de percepção com profissionais acessíveis, se houver aprovação.

  5. Copiar um tema pronto sem ajustar ao curso
    Exemplo do estudante: "Gestão da qualidade total nas organizações contemporâneas."
    Correção: adapte ao campo, ao nível e ao método: "Práticas de controle de qualidade percebidas por funcionários de pequenas empresas de alimentação".

Sinais de que o tema ainda está fraco

Alguns sinais aparecem na conversa com colegas ou orientação. Se você precisa explicar o tema por cinco minutos antes que alguém entenda o foco, o recorte ainda não está claro. Se qualquer artigo da área "serve" para sua revisão, o tema está amplo demais. Se a pergunta poderia ser respondida com "sim" ou "não", ela provavelmente precisa de mais elaboração.

Outro sinal é a ausência de conflito acadêmico. Um tema bom não precisa ser polêmico, mas precisa envolver uma tensão: uma lacuna na literatura, uma prática pouco compreendida, uma relação a testar, uma contradição entre norma e aplicação, ou uma mudança recente que afeta determinado grupo.

Como reescrever sem perder o interesse

Reescrever o tema não significa abandonar o assunto que você gosta. Significa dar uma forma acadêmica ao interesse. Se você queria estudar "tecnologia e educação", pode escolher plataformas digitais, formação docente, avaliação online, participação estudantil ou desigualdade de acesso.

Use esta pergunta de controle: "Que parte desse assunto eu consigo investigar com evidências em um trabalho de graduação ou mestrado?" A resposta normalmente aponta para um recorte mais honesto e mais produtivo.

Como testar se o tema combina com método, fontes e prazo?

Teste o tema verificando se há literatura suficiente, se o método é executável, se as fontes estão acessíveis e se o cronograma comporta leitura, coleta, análise e revisão. Um tema só é viável quando essas peças funcionam juntas. Se uma delas falha, ajuste o recorte antes de escrever capítulos inteiros.

Faça uma busca inicial de literatura

Antes de aprovar o tema internamente, pesquise por palavras-chave em bases acadêmicas, repositórios universitários e periódicos da área. Não procure apenas confirmar que o tema "existe"; observe como outros estudos delimitam população, método e problema.

Uma busca inicial boa responde a três perguntas:

  1. Existem publicações recentes sobre esse assunto?
  2. Os estudos usam métodos parecidos com o que você pretende usar?
  3. Há uma lacuna pequena o bastante para caber no seu trabalho?

Se você encontra centenas de textos, talvez o tema esteja amplo demais. Se não encontra quase nada, talvez os termos estejam errados ou o recorte seja estreito demais. Nesses casos, ajuste palavras-chave e leia resumos antes de desistir.

Combine tema e tipo de pesquisa

Cada tipo de pesquisa pede um tema formulado de maneira compatível:

  • Pesquisa quantitativa empírica: precisa de variáveis observáveis, amostra, instrumento e forma de análise.
  • Pesquisa qualitativa empírica: precisa de participantes, documentos ou situações que permitam interpretação de sentidos, práticas ou experiências.
  • Trabalho teórico ou conceitual: precisa de autores, conceitos e problema de análise bem delimitados.
  • Revisão de literatura: precisa de critérios de busca, seleção e síntese.

Se o tema for "fatores que influenciam a adesão ao tratamento em pacientes diabéticos", a pesquisa quantitativa pode medir associações entre variáveis. Se for "experiências de pacientes diabéticos com orientações de autocuidado", a pesquisa qualitativa pode ser mais adequada. Se for "estratégias educativas para adesão ao tratamento", uma revisão pode funcionar melhor.

Relacione o tema à estrutura do trabalho

Um tema viável também precisa gerar uma estrutura de capítulos ou seções. Se você não consegue imaginar como o texto se organiza, o problema pode estar no recorte.

Em geral, um trabalho acadêmico precisa apresentar contexto, problema, objetivos, fundamentação teórica, método, análise e discussão. Para planejar isso com mais clareza, consulte estrutura de capítulos de um trabalho acadêmico. A estrutura não resolve um tema mal delimitado, mas mostra rapidamente quando o tema não sustenta partes suficientes do texto.

Quando vale a pena trocar de tema antes de escrever?

Vale a pena trocar de tema quando o recorte depende de dados inacessíveis, não há literatura mínima, o método ficou inviável ou a orientação aponta que o problema não cabe no trabalho. Trocar cedo não é fracasso; é uma decisão de gestão acadêmica. O risco maior é insistir em um tema que não permite avançar.

Troca não é começar do zero

Muitas trocas são ajustes, não rupturas. Você pode manter a área e alterar população, método ou material. Se o tema inicial era "impacto da pandemia na aprendizagem de crianças", uma troca possível é "percepções de professores dos anos iniciais sobre dificuldades de recomposição da aprendizagem após o retorno presencial".

O assunto continua na educação, mas o novo recorte é mais executável. Ele troca uma promessa ampla de medir impacto por uma investigação sobre percepções docentes em um contexto delimitado.

Quando insistir piora o trabalho

Insistir pode piorar o trabalho quando você passa semanas apenas tentando justificar por que não tem dados. Também é um sinal ruim quando cada reunião de orientação muda o tema porque ele nunca fica claro.

Outra situação comum ocorre quando o estudante escolhe um tema muito recente e descobre que há pouca literatura acadêmica revisada. Isso não impede a pesquisa, mas exige cuidado. Em graduação, pode ser melhor escolher um fenômeno recente dentro de uma discussão já consolidada, em vez de depender de textos dispersos e notícias.

Como trocar com controle

Troque o tema por meio de critérios, não por ansiedade. Um processo simples ajuda:

  1. Escreva o tema atual em uma frase.
  2. Liste o que está bloqueando a pesquisa: fonte, método, prazo, literatura ou acesso.
  3. Mantenha a área de interesse e altere apenas um elemento por vez.
  4. Gere duas ou três versões alternativas.
  5. Compare cada alternativa por viabilidade, interesse e aderência ao curso.
  6. Leve a melhor versão para validação com orientação.

Essa sequência evita pular de um assunto para outro sem aprender nada com a dificuldade anterior.

O que conferir antes de seguir com o tema escolhido?

Antes de seguir com o tema escolhido, confira se ele tem foco, fontes, método, relevância acadêmica e tamanho adequado para o seu nível. A checagem final deve revelar se o tema consegue virar pergunta, objetivos, revisão de literatura e plano de análise. Se algum item falhar, ajuste o recorte antes de escrever a primeira versão completa.

Antes de seguir: checklist para escolher um tema de pesquisa

  • O tema está delimitado por contexto, grupo, material ou período.
  • Consigo explicar o foco do tema em uma frase sem termos vagos.
  • O tema gera uma pergunta de pesquisa respondível.
  • Há literatura acadêmica suficiente para sustentar a revisão.
  • As fontes, dados ou participantes são acessíveis dentro do prazo.
  • O método combina com o que o tema promete investigar.
  • O escopo cabe em um trabalho de graduação ou mestrado.
  • O tema não depende de autorizações improváveis para começar.
  • Consigo imaginar capítulos ou seções coerentes a partir do recorte.
  • O tema me interessa o bastante para sustentar leitura e revisão.
  • A orientação ou disciplina tem condições de avaliar esse tipo de pesquisa.

O teste final de uma frase

Depois do checklist, escreva a versão final provisória nesta forma:

"Meu trabalho investiga [fenômeno] em [contexto/grupo/material], com o objetivo de compreender/analisar/verificar [problema], por meio de [método]."

Se a frase fica longa demais, corte. Se fica genérica demais, delimite. Se você não consegue preencher o método, volte à seção anterior. Um tema de pesquisa viável não precisa nascer perfeito, mas precisa ser claro o bastante para orientar as próximas escolhas: pergunta, objetivos, revisão, método e estrutura.

(Metadados do sistema de publicação — não remova esta seção)


Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para escolher um tema de pesquisa?

Em muitos trabalhos de graduação, a escolha leva de alguns dias a duas ou três semanas, dependendo do acesso à orientação e da familiaridade com a área. No mestrado, o processo pode exigir mais leitura inicial, porque o tema precisa dialogar melhor com debates acadêmicos já existentes. O melhor indicador não é o número de dias, mas a clareza do recorte e a viabilidade do método.

Qual é a diferença entre tema de pesquisa e pergunta de pesquisa?

O tema indica o assunto delimitado do trabalho; a pergunta define exatamente o que será investigado sobre esse assunto. "Adesão medicamentosa em idosos hipertensos" pode ser um tema. "Quais fatores dificultam a adesão medicamentosa em idosos hipertensos atendidos na atenção primária?" é uma pergunta de pesquisa.

Como escolher tema para TCC na graduação?

Escolha um tema para TCC que seja delimitado, tenha bibliografia disponível e possa ser concluído dentro do calendário do curso. Na graduação, costuma ser melhor trabalhar com um recorte claro do que tentar resolver um problema muito amplo. Também vale considerar a experiência da orientação e as exigências formais da instituição.

Um tema de mestrado precisa ser totalmente original?

Não precisa ser totalmente original no sentido de tratar de algo nunca estudado. Ele precisa apresentar contribuição reconhecível, como analisar outro contexto, aplicar uma abordagem teórica específica, revisar um conjunto de estudos ou investigar um recorte pouco explorado. Originalidade, nesse nível, costuma vir da combinação entre problema, método e delimitação.

Posso mudar o tema depois que comecei a escrever?

Pode, desde que a mudança seja feita com critério e, quando houver orientação, validada antes de avançar. Mudanças pequenas de recorte são comuns: ajustar população, período, corpus ou método. Trocas grandes perto do prazo final tendem a gerar retrabalho, então vale testar a viabilidade o quanto antes.